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Receita da Quinzena de
16 a 31 de Maio

 

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 Vinho de Carcavelos


A HISTÓRIA DO VINHO CARCAVELOS

Em pleno século XVIII, toda a região demarcada de Carcavelos, considerada uma zona nobre de recreio, era procurada pela nobreza, tal como a família real, para diversão e lazer. Daí que, em 1732, as explorações agrícolas de Carcavelos terem sido visitadas pela rainha D. Maria Ana de Áustria (mulher de D. João V), tal era já a fama deste precioso néctar.
Mas foi durante o reinado de D. José I e sob forte influência do 1º Conde de Oeiras e Marquês de Pombal que o vinho de Carcavelos conheceu o seu maior apogeu, sendo desenvolvido na quinta pertencente a Sebastião José de Carvalho, em Oeiras.
Nesta, que era a maior propriedade agrícola e de recreio da região, existia uma grandiosa adega com capacidade para armazenar 900 pipas. Destas, cerca de 250 pipas eram vendidas à Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, a fim de ser misturado ao do Porto, com o objectivo de melhorar as qualidades deste.
Graças à sua qualidade e particularidades, este vinho iniciou, logo em 1752, o seu percurso além fronteiras, tendo sido enviado à corte de Pequim como presente do rei D. José I.
Já no século XIX, D. Luís, D. Carlos e D. Amélia, em passeio e férias por esta região, dedicavam-se às visitas e exploração das quintas produtoras de vinho de Carcavelos, que muito apreciavam.
De facto, este vinho mereceu os maiores elogios de ilustres, portugueses e outros de todo o mundo, como é o caso do Duque de Wellington, aquando da sua estadia em Portugal para comando das forças luso-britânicas em defesa do exército napoleónico em princípios do século XIX, época esta marcada pelas invasões francesas peninsulares.
De regresso à Grã-Bretanha, as tropas inglesas levaram consigo o nome e a fama do vinho de Carcavelos, sob a marca “Lisbon Wine” ou “Cracavellos”, encontrando-se aqui um dos seus maiores mercados internacionais.
O Vinho de Carcavelos foi, através das suas diferentes marcas, bastante




premiado em diversas exposições e certames nacionais e internacionais, como foi o caso do vinho da Quinta da Cartaxeira que arrebatou a medalha de prata na Exposição Universal de Paris de 1900.
Os preços praticados nos séculos passados variavam conforme a qualidade e ano de colheita. No entanto, alguns registos dizem-nos que, em certos anos, o custo da garrafa de Carcavelos ultrapassou o de Colares e Bucelas , concorrendo também com a qualidade e preços do vinho da Madeira e até com o Porto.
No entanto, as consequentes epidemias (oídio e filoxera), que surgiram a partir de 1852, devastaram quase por completo as vinhas do vinho de Carcavelos.
De uma produção de quase 3000 pipas, em inícios do século XIX, não se obteve mais do que 12 pipas de Carcavelos em 1867.
Numa tentativa de recuperação, optou-se pela plantação parcial de bacelos americanos mais resistentes a pragas, criando-se ainda, em 1906, a Adega Social de Carcavelos para, entre outras razões, combater as falsificações deste vinho que, entretanto, proliferavam.
Depois, em 1931, surge a Comissão de Viticultura de Carcavelos e, em 1933, tendo como base o Dec. N.º 23230 de 17 de Novembro, foi constituída a União Vinícola Regional de Carcavelos.
A introdução de selos de garantia, foi uma solução eficaz no combate às falsificações mas o declínio da produção era certo: as pragas vinhateiras, a falta de apoios estatais à recuperação da vinha, o desalento dos produtores e, acima de tudo, a urbanização massiva da região de Carcavelos, ditaram a extinção quase total da produção de Vinho de Carcavelos…


A RECUPERAÇÃO
A Câmara Municipal de Oeiras celebrou, em 1997, um protocolo de cooperação com a Estação Agronómica Nacional, no qual estabelece uma série de princípios, entre os quais, a preservação da vinha do vinho de Carcavelos existente na EAN e a recuperação do próprio vinho.
Neste processo de recuperação, conta-se com o apoio da Comissão Vitivinícola Regional de Bucelas, Carcavelos e Colares, criada em 1994, e que zela pela qualidade e certificação destes vinhos, acompanhando também a sua produção.
Com o propósito de “ressuscitar” este preciso néctar, a CMO instalou, em 2001, uma adega com todo o equipamento vitivinícola necessário, no espaço da EAN.
Com esta iniciativa, deram-se os primeiros passos no ressurgimento da produção de vinho de Carcavelos, contando-se com 5.5 hectares de vinha, plantados em 1984 e que originaram, no ano da instalação da adega. 3.500 Litros de vinho (castas brancas).

Em 2005, a CMO registou a marca “Conde de Oeiras”, para cumprir o objectivo de melhor divulgar e comercializar o vinho produzido em Oeiras.
Esta Câmara Municipal tem também apoiado as vindimas de Oeiras na EAN, através da colaboração de trabalhadores da Edilidade e de voluntários que tem participado, desde há dois anos, nesta campanha e viver assim alguns dias de tradição, história e convívio.
Em Setembro de 2009, a CMO inaugurou as novas instalações para envelhecimentos de vinho com capacidade para 600 pipas, ficando com uma capacidade de envelhecimento de 135.000 litros..

 

 

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