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Não se pode falar de vinho e gastronomia sem deixar
de referir os Monges de Cister. Sediados em Alcobaça, por
concessão real, logo se dedicaram à vitivinicultura e à enologia,
tendo as suas adegas rápidamente ganho fama "extra-muros"
e sendo conhecidas como autênticas "catedrais da gastronomia",
fazendo por vezes "esquecer" a austeridade conventual.
Em 1774, o Mosteiro de Alcobaça, graças à sua cozinha e ao
próprio refeitório, foi considerado como o "Templo da
Gula mais brilhante da Europa".
Beber vinho com moderação
além de ser uma atitude saudável, ajuda melhor a apreciar
os diversos pratos que compõem a rica e variada gastronomia
nacional.
Beber vinho é um acto de cultura.
É fundamental a escolha
do tipo de vinho de acordo com o prato servido.
Existem regras básicas,
por todos sobejamente conhecidas, que nos dizem que um prato
de peixe deverá ser servido com um vinho branco, que os mariscos
vão bem com os vinhos verdes ou com brancos acídulos, que
as carnes se fazem acompanhar por vinhos tintos e que com
as sobremesas dever-se-ão servir vinhos licorosos ou espumantes
mais ou menos doces.
Alguns exemplos:
Mariscos:
cozidos:
vão bem com vinho branco leve, acídulo ou com vinho verde
branco.
gratinados
ou cozinhados com gordura, ervas aromáticas, especiarias ou
natas: requerem um vinho branco seco, menos acídulo e menos
jovem.
Peixes:
cozidos ou grelhados: são
beneficiados quando acompanhados por um vinho branco, um pouco
acídulo, leve, frutado e vivo.
no forno:
deverão ser servidos com vinho branco mais seco, encorpado
e capitoso.
Excepções: Com a sardinha assada e o bacalhau, vai bem um
vinho tinto, encorpado e de preferência com alguma adstringência.
Carnes:
vermelhas: necessitam de
vinhos tintos encorpados, com "bouquet".
brancas: irão melhor com vinhos brancos fortes ou rosados,
mais jovens e menos carregados de aroma e sabor, como Chardonnay
ou Sauvignon.
Excepção - O leitão assado no forno deverá sempre ter um espumante
natural a acompanhá-lo.
Caça:
Combina com vinho tinto
velho, aveludado, com um bom "bouquet".
Pastas:
Com
creme de leite ou suaves: combina com vinho tinto suave, frutado.
com muito condimento: necessitam de vinhos tintos encorporados,
com "bouquet".
Saladas:
Especialmente
as de folhas verdes: combina com vinho tinto.
Doçaria:
Acompanha
bem com um vinho licoroso doce ou meio doce, conforme a sobremesa
tenha mais ou menos açúcar na sua confecção, ou com um espumante
doce.
Excepção – Se os doces tiverem
chocolate ou nozes nunca acompanhar com espumante.
Os
espumantes vão bem com tudo - Está na moda, começar e acabar
uma refeição sempre na mesma companhia: o espumante natural.
Como aperitivo, o melhor é aquele que nos possa estimular
o apetite para a refeição. Poderá ser um espumante bruto,
um Madeira seco, um Porto branco seco ou, porque não, um vinho
branco fresco e frutado, com o qual iremos continuar durante
a refeição, até ao prato de carne.
O que nunca deverá ser servido como aperitivo, são os cocktails,
pois estes deixarão o palato incapaz de apreciar os vinhos
que venham a ser servidos posteriormente com a refeição.
Como digestivo e para terminar a refeição deverá servir-se
uma aguardente vínica ou bagaceira.
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