No Entrudo come-se tudo — a festa mais gulosa do calendário português, com feijoadas, cozidos, filhós e malassadas que enchem a casa de aroma e a mesa de fartura.
"No Entrudo come-se tudo.
Não há Carnaval sem máscaras,
não há máscaras como as de Trás-os-Montes.
Chamam-lhes caretos, farapéis, farpares —
estas máscaras são únicas." — Tradição Transmontana
O antigo Entrudo português — caceteiro e ofensivo, avinhado e licencioso — tinha um dito relacionado com a comida: "No Entrudo come-se tudo." Mas é preciso cuidado com afirmações definitivas: no Entrudo, não tem lugar o peixe.
É uma festa essencialmente de carne. Feijoadas transmontanas, cozidos generosos, pezinhos de coentrada — e uma abundância de doces fritos que enchem a casa de aroma e alegria.
Os caretos de Podence e Lazarim, os farapéis e farpares de Trás-os-Montes, as máscaras únicas do interior — são o rosto mais genuíno de um Carnaval que não precisa de confetti para ser extraordinário.
Cozinhada de véspera, de preferência. O feijão absorve melhor os sabores do enchido quando descansa de um dia para o outro. Sirva com arroz solto e couve couvada.
Fritas em óleo bem quente para ficarem sequinhas por fora. Polvilhadas com açúcar e canela logo que saem da frigideira, ainda a fumegar.
O Carnaval de Podence é Património da Humanidade — os caretos percorrem a aldeia em algazarra, vestidos com trajes de franjas multicoloridas e máscaras metálicas únicas no mundo.
🍷 Harmonização: Para a feijoada transmontana, um tinto robusto de Trás-os-Montes. Para o cozido, um Bairrada maduro. Para as filhós, um cálice de Moscatel da Galeria ou Vinho do Porto Tawny.