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“ Matanza Domiciliaria Extremeña”
      Matança Didáctica do Porco

Foi bonito de se ver, a tradição quando revisitada é bonita de se ver, desde que mantenha a sobriedade - o que aconteceu, e não se torne folclore - como normalmente acontece.

A Cofradia Extremeña de Gastronomia voltou a Fazer a Matança Didáctica do Porco.

Desta vez “ Matanza Domiciliaria Extremeña”.

Eram 9 da manhã e já se ouvia o “guarro” grunhindo, como deve ser. O Francisco alcunhado com orgulho o “Pirri”, matador e desmanchador credenciado, começou o labor afiando a faca e mirando o bicho.

O dito, como se já tivesse passado pelo mesmo, olhava o “Pirri” de atravesso e dava mais uma patada.

O filho do “Pirri” e o irmão do “Pirri” ajudantes familiares do “Pirri” ajustavam o alguidar, calçavam a banca e ás ordens de “ há una, há dos, há tres” levantaram o bicho que ficou colocado na banca com a precisão milimétrica de quem tem que segurar sem perder a mão e por forma a que o focinho do porco fique suficientemente saído, de maneira a que a faca faça o seu labor: rápido, certeiro e pronto.

As senhoras “amas de casa” tratavam de pôr as mesas, o café nelas, os bolos e biscoitos tradicionais: as perunillas, os bollos de chicharrón, os torcidos,as roscas fritas, os pestiños, as flore e ... , os cálices da água-ardente e os licores de ginja, de café, de belota...e por fim as migas Extremeñas.

Foi chegando o Julio Yuste, o António Pereira e familia, o Teresiano Rodríguez e esposa, o António Serrano e esposa, a Beatriz Tello e a decana Feliza Zamorano...., recebidos com o calor confrádico pelo Presidente Matias Macias, por Matilde e por mim, que nos levantamos cedo para sermos os primeiro e assim foi.

Aguardámos, com o tempo justo, a chegada do senhor Padre e do senhor Presidente da Câmara, aquí chamados o primeiro de “Cura” e o segundo de “Alcalde” e como não aparecessem botámos mão ao que vinhamos.

A faca labutou poco tempo, a dois golpes certeiros e lá se foi o marrano, o sangue saíndo ás golfadas, aparado no alguidar, o último esgar e já está.

Agora vamos á desmancha e mais uma vez o “Pirri” mostrou como a faca, qual bisturí, rasga e corta, por onde tem que cortar, para nos dar: o espinazo, o tocino, o solomillo, o costillar, o pico ó punta de costilla, a panceta, o secreto o cruceta de Iberico,a paleta, o jamón, o lomo, a pluma, o pico del lomo, a cabezada de lomo, a presa de entraña, o falso secreto, o lagarto ou cordón del lomo, a carrillada, a castañuela, o pico de papada e papada e as caretas e com elas (carnes) fazer os derivados do cochino: Jamones, lomos, salchichón, chorizos blancos e rojos, chorizos de hueso, chorizo de bofe, morcones, bofeño, sobrasada, lengua embuchada, morcillas de : sangre, negra, patatera, de arroz, harinera, de calabaza, lustre, sabadeña, fariñera, cominera, bofeña, serrana, casera mondonga, de entraña, e mais salcichas, longniza, cabeza de saco, caldillo, manteca, buche de costillas. Gaita que fiquei cansado, lebrar-me de repente de tudo o que foi ali falado e podendo fazer a comparação com as matança dos Alentejanos, foi obra.

A seguir demos uma volta pela serra e vimos a serras colindantes e os vales suaves todos cultivados, exceptuando o tereno onde pisavamos, eucaliptal recem cortado que estava á espera da desmonta e que está reservado para caça. Os olivais e as vinhas de Almendralejo, o montado que aquí se chama dehesa.

Voltámos e tivemos como aperitivo a prueba, correspondendo ás nossas presas do alguidar com enchidos e assadura acompanhados com uns vinhos, o primeiro de pitarra, o segundo “Puerta de Palma” branco, o terceiro...e Cava “Puerta de Palma” a seguir veio o almoço que durou toda a tarde, como eu gosto, com histórias, histórietas e comentários á mistura.

Cozido da matança foi o repasto: primeiro a sopa do cozido, que ainda estava a passar pelo gargalo e já os grãos com as couves apontavam da cozinha, por fim o festim das carnes, não só frescas como salgadas e enchidas, ele era o toucinho, ele era o pernil, o chispe, os ossos da rabadilha e da suã, o chouriço, a morcela, a cacholeira um não ter fim de sabores e odores que nos transpuseram aos tempos da infância.

Vieram a seguir as poucas e parcas palavras da praxe, primeiro o Presidente com os agradecimentos aos presentes, depois o Presidente da Cofradia dos Vinhos da Ribeira do Guadiana – Marcelo Días González e por fim eu, português, alentejano representando a Confraria do Alentejo, e Matilde a do Norte Alentejano, eu a de Utiel-Requena, a Matilde a do Algarve e eu o CEUCO – Conselho Europeu de Confrarias, falei e disse da alegria da partilha, da irmandade nas comidas, da importância de sermos povos irmãos, da ráia que nos dividiu e agora nos une, dos vinhos e espumantes tão autenticos, dos cafés, dos doces e terminei lendo um trecho de uma crónica de José Quitério transcrita no seu livro “Histórias e curiosidades gastronómicas” que refere: A Confradia Extemeña de Gastronomia leva dez anos de existência (levava quando ele escreveu, agora leva 30), ao longo dos quais, por acçãoes, por escritos e por palavras, se tem estremado na valorização das produções de qualidade e da cozinha da sua região....

Por fim Matias Macias, o nosso Presidente, referindo as matanças que fazia o seu pai no Restaurante Mesón La Jara – Casa Andrés, seu pai Andrés, a emoção embargou- -lhe a fala, mostrando quanto de puro e de autentico têm estes homens de trabalho, acabou por tazer á sala o “ Pirri” que tomou café connosco, as irmãs excelentes cozinheiras e o pessoal de serviço, entre os quais um empregado com 25 anos de casa.

Os orgãos de informação foram convidados e foi para eles uma das maiores saudações da tarde, são eles os que propagarão o que de bom viram em Puebla de la Reina- a tradição revisitada

Matilde Fernández e Diogo Pereira

Representámos O Conselho Europeu de Confrarias (CEUCO)

A Confraria Gastronómica do Norte Alentejano

A Confraria dos Gastrónomos do Algarve

A Confraria do Alentejo

El Circulo de Enófilos de Utiel-Requena
 


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